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segunda-feira, 24 de março de 2014

VIII Congreso Internacional de Acompañamiento Terapéutico - México 2013

O evento estava repleto de grandes nomes do acompanhamento terapêutico. Foi um grande aprendizado em todos os sentidos.

No primeiro dia houve vários debates acerca do acompanhamento terapêutico (AT), como profissão ou como função.
Pela manhã Marité Colombini, da Argentina trouxe uma questão que vemos também no Brasil: a imposição de um acompanhante terapêutico (at) para a criança ingressar na escola. Até que ponto a escola está repassando uma responsabilidade que é sua e até que ponto este AT é terapêutico, este at tem espaço para trabalhar, não está somente nas demandas da escola? Ela me fez refletir sobre essas coisas. Ela fala do AT como “uma práxis”.

Graciela Bustos traz que “o acompanhar já existe desde o início da humanidade, estamos resgatando esse acompanhar uns aos outros”. Isso é lindo e isso é muito AT!
Maurício Hermann, do Brasil, contribui colocando que institucionalmente é importante ser profissão, para estar na rede pública, por exemplo, e de forma habilitada. Porém, alerta que transformar o AT em profissão fecha portas importantes como no trabalho de pedagogas, assistentes sociais, etc.

No México não existe lei antimanicomial. Existem os manicômios e existem “las casas de medio camiño”. Essas casas são como hospedagens, onde os pacientes ficam durante alguns dias da semana. São casas privadas, onde poucos possuem acesso, e são pacientes que não estão necessitando de uma internação porém a família quer deixá-lo em algum lugar, seja por trabalho, seja por algum outro motivo. Então estas casas funcionam como hospedagens por alguns dias da semana para esses pacientes. Existe algo público, seriam casas que não se paga, porém as condições são muito precárias conforme relataram. Por exemplo, algo como a psicóloga dar atendimento a cada três meses.

Na parte da tarde Luciana Chauí do Brasil, e Maria Laura Frank da Argentina, apresentaram uma mesa sobre família. Luciana falou da importância do toque, do corpo e de que a mudança pode ocorrer com a aproximação física. Ana Celeste de Araújo Pitiá, do Brasil, apresentou o projeto de AT na Rede Pública em São Paulo, um projeto bem grande, com quarenta ats e que me impressionou muito.
No segundo dia, pela manhã, a mesa abordou o AT no México e uma das reflexões levantadas foi sobre a medicalização das crianças, que também vemos por aqui e o quanto o DSM V foi um retrocesso.

Na parte da tarde foi a apresentação do meu trabalho. Apesar do nervosismo, deu tudo certo. O trabalho foi muito elogiado. Eu fiz questão de traduzi-lo e apresentá-lo em espanhol para que todos compreendessem. Isso porque os mexicanos não entendem português. Esse é um curioso fato que no início pensei ser piada. As línguas são tão semelhantes, como eles não entendem? Nós entendemos o que eles falam. Ao longo de minha estadia lá, e depois de observar, percebi que só os mexicanos não nos entendiam quando falávamos português, os argentinos entendiam. Fiquei a pensar sobre esse fato e claro, a resposta é muito simples. Nós brasileiros (principalmente os gaúchos), os argentinos e os uruguaios, somos um povo meio misturado, que ao longo dos tempos conviveu com uma fronteira que ia pra lá, vinha pra cá, suscetivamente. Desta forma, impregnamos eles de um pouco de nossa cultura e eles nos impregnaram da sua. Para nossos ouvidos brasileiros e principalmente gaúchos, a língua dos hermanos é mui familiar. Mas para os mexicanos o português é uma coisa de outro mundo. Assim, fiquei muito aliviada e satisfeita por ter me dado o trabalho de traduzir o texto e apresentar na língua deles. Eles puderam me compreender e assim entender o trabalho. 

Título:
"O Acompanhamento Terapêutico articulando movimentos: da dependência na cadeira de rodas à cidadania na cadeira de rodas"
"El Acompañamiento Terapéutico articulando movimientos: de la dependencia en la silla de ruedas a la ciudadanía en la silla de ruedas"

Autores:
Cíntia Viviane Ventura da Silva
Alex Sandro Tavares da Silva

Aqui o vídeo da apresentação:





No terceiro dia houve uma palestra muito linda com Ana Fabre, mexicana, uma senhora muito distinta e com uma fala muito articulada, fez uma explanação belíssima. E o trabalho dela era sobre uma menina com a mesma patologia que apresentei, mielomeningocele.
Também houve uma mesa muito interessante sobre dependência química, com Pablo Dragotto, argentino.
A última mesa do dia foi com Gustavo Rossi, argentino. Uma fala que me chamou muito a atenção foi de Gustavo que disse “o acompanhante terapêutico é claustrofóbico”. 


Brasil e México trabalhando pelo AT!

Sim, penso que sim. Penso que esse é o mote que nos leva a itinerar, peregrinar, sair pra rua, ruerar!

Novos laços, muitos afetos!
Assim foi o VIII Congreso de Acompañamiento Terapéutico no México!

sábado, 5 de janeiro de 2013

Acompanhamento terapêutico em um centro de atenção psicossocial de pelotas: a utopia como possibilidade

Cíntia Viviane Ventura da Silva - Terapia Ocupacional UFPEL 
 Carmen Argiles  - Mestranda do PPG Enfermagem UFPEL
Denise Matos - Assistente Social de Pelotas
Valéria Coimbra - Enfermagem UFPEL
Luciane Kantorski - Enfermagem UFPEL
 
O pôster acima foi apresentado no 21º Congresso de Iniciação Científica da UFPel e foi selecionado para segunda apresentação. Ele traz os resultados de um trabalho que no ano anterior se apresentou neste mesmo evento e questionava se o AT na rede pública poderia ser possibilidade (http://atentendendo.blogspot.com.br/2012/02/acompanhamento-terapeutico-em-um-centro.html).

Uma versão deste trabalho foi apresentada também no Simpósio de Acompanhamento Terapêutico e Saúde Pública (http://atentendendo.blogspot.com.br/2012/09/acompanhamento-terapeutico-em-um-centro.html).


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Acompanhamento terapêutico e a inclusão escolar: um estudo de caso


Cíntia Viviane Ventura da Silva – UFPel
Lisiane Machado de Oliveira-Menegotto - Universidade Feevale


Nosso relato se refere ao trabalho de acompanhamento terapêutico escolar com uma aluna que fora acompanhada por nós, com diagnóstico de Transtorno Global do Desenvolvimento, durante o turno escolar, diariamente. A aluna estava na segunda série e apresentava dificuldades de aprendizagem e de relacionamento com os colegas. Em certos momentos demonstrava dificuldades de permanecer dentro da sala de aula, manifestando agressões aos colegas e aos objetos que estavam ao seu alcance. Sua fala era restrita, uma vez que pouco conseguia manifestar-se por meio de palavras. Nessa perspectiva, a demanda de trabalho consistia em favorecer o processo de inclusão dessa aluna, buscando uma maior autonomia em relação à linguagem e, consequentemente, às tarefas escolares.
Acompanhar uma criança com NEE[1] é uma tarefa que se renova a cada dia. As necessidades mudam, de modo que cada aula é uma demanda nova. Neste sentido, a presença de alguém com a função de estar atento aos códigos, ao pathos do aluno, bem como as suas potencialidades é algo fundamental. O estado de atenção do outro, que toma as manifestações da criança como apelo, numa perspectiva de comunicação, foi destacado por Freud ([1895]1987), ao falar sobre a experiência de satisfação. Freud entende que o desamparo do bebê requer a atenção de uma pessoa experiente, que toma o choro, entre outras descargas do excesso de tensão psíquica no corpo. Instaura-se um processo de comunicação em que o outro interpreta e inscreve o simbólico no corpo da criança.
Observamos esse aspecto e a importância do olhar do outro, na posição de at escolar, sobretudo, quando Laura[2] demonstra incômodo em alguns momentos de convívio com os colegas no espaço da sala de aula. Entendemos que aquela é uma vivência de excesso e diante disso, oferecemos à aluna a alternativa de sair da sala, no sentido de auxiliarmos a reconhecer essa experiência e a armar recursos para enfrentá-la. Nesse caso, não tomamos a saída como uma punição, procedimento comum no ambiente escolar, mas como uma via de recomposição subjetiva, a fim de viabilizar o seu retorno para sala de aula mais integrada. Nessas saídas, portanto, buscamos interpretar a sequência de fatos que a levou a ficar incomodada. Percebemos, nesse sentido, que a desorganização da turma ou até mesmo o fato de a professora aumentar o volume da voz a deixava incomodada, gerando um estado de desintegração.
Conforme Winnicott (1983), a desintegração é uma defesa sofisticada contra a ansiedade inimaginável da falta de segurança no estágio de dependência absoluta. O papel da integração do ego acontece no início do desenvolvimento emocional da criança quando ela está passando do estágio de dependência absoluta para a relativa e, por fim, para a independência. Ainda nas palavras do autor:

A integração está intimamente ligada à função ambiental de segurança. A conquista da integração se baseia na unidade. Primeiro vem o “eu” que inclui “todo o resto é não-eu”. Então vem “eu sou, eu existo, adquiro experiências, enriqueço-me e tenho uma interação introjetiva e projetiva com o não-eu, o mundo real da realidade compartilhada”. Acrescente-se a isso: “Meu existir é visto e compreendido por alguém”; e ainda mais: “É me devolvida (como uma face refletida em um espelho) a evidência de que necessito de ter sido percebido como existente” (Winnicott, 1983, p. 30).

Nessa perspectiva, consideramos o trabalho do at compatível com a função materna, sendo uma espécie de ego auxiliar, possibilitando ao aluno suportar o confronto com o não-eu. Sair da sala de aula é possibilitar a experiência de ter a sua existência percebida e compreendida, no sentido de tentar integrar a experiência que é vivida em pedaços.
As saídas de sala de aula também apresentam um caráter pedagógico, uma vez que possibilitam aprendizados. Entendemos que as saídas se constituem em uma “sala de aula itinerante”, na medida em que a aprendizagem não se restringe a um espaço físico. Sendo assim, além de reconhecermos e trabalharmos com os incômodos de Laura possibilitamos um espaço de aprendizagem na volta no ginásio, na leitura de um livro que na biblioteca, no caminhar entre as árvores no pátio cantando cantigas, etc.
Todas as crianças são únicas em sua expressividade e as crianças com NEE não fogem a esta regra. A diferença entre elas não está somente no modo como elas falam, andam, sentem ou vivem. Está, sobretudo, no modo como nós as percebemos. Conforme Jerusalinsky (1997, p. 23), “o que não se diz, de alguma maneira, necessariamente, se manifesta”. Laura manifestava através do contato físico bruto, o desejo de conhecer o outro, de estabelecer os contornos entre o eu e o outro, enfim, de inscrever uma relação. Pudemos entender isso ao analisar com quem ela tinha este tipo de atitude. Observamos que a maior frequência destas situações (de agressão) era justamente com as meninas pelas quais ela demonstrava mais afeição. Desta forma, para nós ficou claro que suas formas bruscas de interagir eram apenas tentativas de comunicar-se com os outros colegas, buscando estabelecer um contato e uma troca.
            Numa das várias situações em que para Laura era insuportável estar dentro da sala de aula e nos demonstrava isso de forma agressiva, atirando os materiais no chão, machucando os colegas, etc., ao dar uma volta pela escola, a at permitiu que a aluna a guiasse. Laura, então, lhe pediu que a levasse para a pista de atletismo da escola, um lugar arborizado, com muitos passarinhos e canteiros de flores. No caminho, Laura e a at foram cantando inúmeras cantigas, sobretudo, aquelas cantadas na sala de aula. Nos intervalos, ela reproduzia sons que, inicialmente, para a at, eram estranhos. Ela dizia por exemplo: “êêêê-tinnnnnhu-élliiiiiiiiiinho-ão-a-ninha-ão” dirigia o olhar para a at e pedia que ela cantasse. Essa cena repetiu-se inúmeras vezes, até que a at entendeu que o “êêêê-tinnnnnhu-élliiiiiiiiiinho-ão-a-ninha-ão” era “meeeeu pintinho amareliiiiinhooooo, cabe aqui na minha mão, na minha mão”. O sentimento vivido pela acompanhante e pela acompanhada foi de comunhão, foi de encontro. Afinal, a at estava escutando-a e entendo-a. Tal olhar atento da at foi possível, sobretudo, nesses momentos de encontros fora da sala de aula. Nesse sentido, sair da sala de aula com o aluno não é um sinal de fracasso pedagógico. As saídas possibilitam um olhar mais atento à subjetividade do aluno, permitindo um trabalho que seria limitado na sala de aula, diante dos demais colegas.
            Bem como as saídas permitem contemplar a subjetividade do aluno de forma mais centrada, também a presença do acompanhante terapêutico, mesmo dentro da sala de aula, possibilita a captação de códigos de comunicação que por vezes passam despercebidos. É o caso acontecido quando de nosso passeio a um museu de tecnologia de uma universidade. No referido museu, havia uma máquina onde as crianças apoiavam as palmas das mãos e quando o assistente acionava o mecanismo as crianças recebiam descargas elétricas leves, mas suficientes para que seus cabelos ficassem arrepiados e levantassem contra a gravidade. Já na sala de aula, no dia posterior ao passeio a professora pergunta aos alunos o que mais gostaram no museu. Antes que qualquer um dos alunos responda verbalmente, Laura leva suas mãozinhas ao cabelo e o levanta, imitando o efeito que a máquina produziu.  Estando ao lado de Laura, a at pode perceber sua fala em forma de gesto e chamar a atenção da professora que ouvia as falas dos outros alunos excitados em expressar suas percepções do museu. Desta forma, sua expressão e sua percepção puderam também ser ouvidas.
Reis Neto (2011) fala do indivíduo condenado a uma solidão por sua comunicação delirante ou inadequada. Conforme o autor, este indivíduo não promove o laço social por não ter sua bizarrice compreendida. Em casos assim, o AT pode facilitar a criação de novos laços, oferecendo a escuta que abre à singularidade (REIS NETO, 2011).
Nas palavras de Jerusalinsky (1997, p. 15), “o sujeito humano não é mais do que linguagem, e fora dela não é nada”. A linguagem é o único campo onde o sujeito pode se articular, o único modo de ser é o falar. Corso (1997) afirma que poder instalar uma transferência permeada de escuta e de olhar é um “passaporte para a linguagem” (p.28). Podemos, nesse sentido, pensar acerca da importância de se estabelecer, através do vínculo, um canal de comunicação com o aluno com NEE, levando-se em conta que não estaremos apenas conversando ou entendendo, e sim permitindo que um sujeito ali se constitua, entendendo aqui sujeito como sendo da linguagem.

                                      É preciso entender, é preciso ser entendido. É preciso escutar, é preciso falar. É preciso, acima de tudo, estabelecer um tipo de comunicação. Frases banais, perfeitas para um manual de relacionamentos. Aqui, no entanto, referem-se a algo pouco óbvio, e muito menos corriqueiro. Comunicar-se por meio da fala e da escuta requer, para além do interesse, uma língua comum. Entender e ser entendido são tarefas pouco simples no diálogo entre neurose e psicose, situação frequente nas histórias de acompanhamento. Dois discursos que, numa conversa, correm o risco da surdez, da não-escuta (BARBOSA, 2006, p. 29).

            Por este episódio da descrição do museu de tecnologia visitado pelos alunos, podemos dizer que Laura entendeu. Foi entendida. Escutou. E também falou!
No decorrer de nosso acompanhamento Laura foi aos poucos se integrando à rotina da turma e diminuindo os episódios de agressão. Pôde suportar por mais tempo o estar em sala de aula, espaçando cada vez mais a necessidade de sair para o pátio. Tendo respeitado o seu desenvolvimento emocional, conseguiu sentir segurança no ambiente em que estava inserida.
            Através do holding desempenhado pela at foi possível realizar um trabalho de caráter inclusivo. Desmistificando sua fala, pudemos nos apropriar de sua história, suas preferências musicais e, assim, estabelecer uma ponte de comunicação. Passamos a compreender o mundo que ela trazia para a sala, que era compreendido por poucos, e em determinados momentos, e por muitos era ignorado. Lançando um olhar para nossa experiência com a Laura, vimos que o nosso trabalho foi permeado pelo desejo que ela falasse, que ela aprendesse e que pudéssemos diminuir o abismo entre o discurso e a prática inclusiva.
            Pudemos verificar o quanto as crianças com NEE são únicas e repletas de ensinamentos e ver que a diferença delas para as outras crianças está, sobretudo, no nosso olhar. Isso porque, muitas vezes, eles costumam falar de forma não-convencional como denominamos anteriormente. Mas eles falam. Na forma de nos olhar. No modo de gesticular. Nas palavras, meias-palavras ou sons que produzem. Cada gesto, palavra, meia-palavra ou som representa um diálogo que pulsa por significações. O fascinante, e também árduo desafio é decifrar cada um destes códigos, uma por uma destas formas de linguagem especial e única, que são marcadas pelos singulares percursos de cada indivíduo. Estas descobertas nos deixaram enxergar Laura em seu todo, em sua manifestação como ser, em sua linguagem, e foram fundamentais no desenvolvimento deste acompanhamento.
Se a linguagem é o único modo de podermos ser, quando não somos compreendidos através da nossa fala, buscamos outras formas de expressão como a agressão. Com o decorrer do trabalho percebemos a mudança de comportamento de todos: de Laura em relação aos demais e destes em relação a ela. Munida de outras formas de interação, ela não precisava agredir para se comunicar.
            Verificamos a importância do vínculo que se estabelece entre o at e o aluno acompanhado. Só com um bom vínculo que se dará a aquisição de linguagem entre ambos.
Nossa experiência revelou que o AT pode ser uma profícua ferramenta de trabalho no processo de inclusão escolar. Ele irá estabelecer as pontes necessárias para que a pessoa possa se comunicar e interagir com o meio que a cerca. Na medida em que o trabalho de AT consegue estabelecer tais pontes, a presença do at passa a não ser absoluta e indispensável. Esse é o maior objetivo de nosso trabalho, mas sabemos que para alcançá-lo, precisamos inscrever a presença, a atenção às manifestações, a decodificação dos códigos.

Referências

BARBOSA, Adriana Canepa. Acompanhante-acompanhado: história de dois. In: SANTOS, R. G. (org.). Textos, texturas e tessituras no acompanhamento terapêutico. São Paulo: Instituto A Casa / Editora Hucitec, 2006.
FREUD, Sigmund. Projeto para uma psicologia científica. In: SIGMUND FREUD, Obras psicológicas completas de Sigmund Freud (J. Salomão, Trad.). Rio de Janeiro, Imago. Vol. I. (Trabalho original publicado em 1895), 1987.
JERUSALINSKY, Alfredo. Falar uma criança. In: CENTRO LYDIA CORIAT. Escritos da criança Nº1. Porto Alegre: Centro Lydia Coriat, 1997.
REIS NETO, Raymundo de Oliveira; TEIXEIRA PINTO, Ana Carolina  e  OLIVEIRA, Luiz Gustavo Azevedo. Acompanhamento terapêutico: história, clínica e saber. Psicol. cienc. prof. [online]. 31(1): 30-39, 2011.
WINNICOTT, Donald Woods. O ambiente e os processos de maturação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1983.



[1] Necessidades Educacionais Especiais
[2] Nome fictício.

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O trabalho acima foi apresentado no "Simpósio de Acompanhamento Terapêutico e Saúde Pública", organizado pela ATTENDA, em agosto de 2012, em São Bernardo do Campo/SP.

Cíntia Viviane Ventura da Silva





segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Acompanhamento terapêutico em um centro de atenção psicossocial de pelotas: a utopia como possibilidade


Cíntia Viviane Ventura da Silva
 Carmen Argiles
Valéria Coimbra

Esse trabalho é um relato de experiência de acompanhamento terapêutico (AT) na rede pública do município de Pelotas/RS, mais especificamente em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). 
Considerando a criação dos CAPS como estrutura de reinserção da pessoa com sofrimento psíquico em seu contexto social, com o objetivo de promover não só a sua qualidade de vida e de seus familiares, mas também o respeito à sua singularidade (BRASIL, 2001), o acompanhamento terapêutico vem como uma ferramenta de auxílio no cuidado à saúde mental na rede pública, dentro desses novos espaços de atenção.
O AT surge na década de 60 através das comunidades terapêuticas, como recurso da reforma psiquiátrica e da luta antimanicomial. Sofre influências da antipsiquiatria inglesa e da psiquiatria democrática de Franco Basaglia (PITIÁ; SANTOS, 2005).  As comunidades terapêuticas funcionavam em hospitais psiquiátricos e possuíam uma figura terapêutica que permanecia com os pacientes no dia-a-dia objetivando construir um meio social.
Silva (2005, p. 44) faz uma referência ao contexto histórico-político em que o surgimento do AT se deu:
na constituição do seu campo, o Acompanhamento Terapêutico mostrava-se como um recurso auxiliar para pacientes graves, alguns considerados “crônicos”, que ia de encontro a uma lógica que desejava deixar a pessoa que é rotulada de louca apenas dentro dos hospitais psiquiátricos. Assim, desde sua configuração inicial o AT mostra essa ruptura com o “modelo de saúde” que busca isolar dentro do hospício, controlar todas as manifestações anormais para depois “tratar”. (SILVA, 2005, p. 44)

Palombini (2004, p. 78) conceitua o AT “como uma clínica em ato, onde o setting é a cidade: a rua, a praça, a casa, o bar. Uma clínica em que a palavra e também o corpo, os gestos, as atitudes contam”. Ela o define como um dispositivo clínico-político (PALOMBINI, 2006).

Para Silva (2005, p. 41), “o AT pode ser uma prática de integração, uma atividade revolucionária, uma prática de inclusão”. Ele segue falando da questão do setting, ou melhor, dos múltiplos settings em que a estratégia do AT permite ao trabalho terapêutico, afirmando que “[...] a prática do AT se dá em vários espaços, não ocorrendo apenas na cidade de concreto (mas também no quarto, na sala, na lanchonete, no sítio, no consultório, na festa, na praia, no campo, etc.)” (SILVA, 2005, p. 80).
Dentro das possibilidades do AT ainda trazemos Lancetti (2006, p. 25-26), que nos diz que “o acompanhante na sua intimidade amigável pode conectar ao mundo, realizar agenciamentos [...] e furar o cerco” (grifo nosso).

 METODOLOGIA

O trabalho é realizado em acompanhamentos individuais, uma vez por semana. O acompanhamento ainda está acontecendo. O usuário possui diagnóstico de retardo mental moderado, conforme prontuário no serviço. Os acompanhamentos foram descritos e fichados e depois foi realizada uma análise das narrativas. O tempo destes encontros é de uma a três horas, dependendo da demanda organizada para o encontro. A definição do que iremos fazer, vem do desejo do usuário, do que ele tem vontade de realizar naquele momento adequando às possibilidades. Desde tomar um chimarrão na praça até visitas em série aos museus da cidade de Pelotas em comemoração aos seus 200 anos. Temos então como metodologia de trabalho o acompanhar o sujeito em suas demandas, uma vez por semana.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O acompanhamento terapêutico é realizado com um usuário do CAPS Fragata, da cidade de Pelotas/ RS. Ele foi indicado pela equipe do serviço estar apresentando dificuldade de se organizar em seu cotidiano.  O usuário possui o diagnóstico de retardo mental moderado, conforme consta em prontuário.
O acompanhamento é realizado uma vez por semana. Foi realizada uma visita à residência do acompanhado, com o objetivo de conhecer onde mora, seus costumes, suas preferências, conhecer seus familiares, explicar a esses como será o trabalho, a importância da participação deles no mesmo e ouvir suas demandas, suas apreensões e impressões. Também buscamos essa estratégia como uma forma de estreitar/estabelecer o laço entre os familiares do usuário e o serviço.
João tem 41 anos, é solteiro, não possui filhos, nunca foi casado, mora com a mãe que sofre de depressão, e com a prima que também é atendida no serviço. Possui outros cinco irmãos que são casados e moram com seus cônjuges. O pai é separado da mãe há mais de trinta anos e mora em outra cidade. João o visita esporadicamente, passando alguns dias com ele nos feriados mais prolongados. Além da dificuldade intelectual, João possui anquiloglossia. Esta patologia limita os movimentos da língua; é comumente chamada de “língua presa”. Desta forma, a sua comunicação também é difícil porque não consegue articular de forma adequada as palavras. Isso também prejudica sua habilidade social, e é um fator que soma à sua dificuldade de inserção na sociedade. Durante o verão, João trabalha informalmente como vendedor de picolés. Sua condição econômica é muito baixa. A mãe tem dificuldades para estimular a independência do filho, protegendo-o de forma excessiva, e administrando até mesmo o salário que ele recebe da assistência social como aposentado. Isso gera muitas brigas entre os dois. A prima está morando com eles há pouco tempo e também acontecem atritos entre eles, por vários motivos, um deles é o ciúme que ela sente da tia com o primo. Ela não possui mãe, era moradora de rua antes de ser atendida no CAPS. Em virtude da necessidade de independização da figura materna, de trabalhar a autoconfiança pra agir de forma mais autônoma e de lidar com as situações de conflito na família, surgiu então a indicação de AT.
No início do acompanhamento foi realizada uma avaliação terapêutica ocupacional com o usuário. Observou-se que as principais demandas de João são a comunicação, a orientação organizacional de seu autocuidado e a relação com a família. Os objetivos de trabalho são estimular a autonomia e independência do usuário o máximo possível. Também possibilitar uma organização emocional para este poder suportar e dar conta das situações que ocorrem em sua casa, com seus familiares.
Os acompanhamentos duram uma hora em média. Logo nos primeiros acompanhamentos, João manifestou o desejo de escrever o que fazíamos. Fomos até à livraria, ele escolheu um caderno, e foi comprado para ele. Com nosso auxílio ele preencheu o caderno com seus dados de identificação, e o nomeou de “Caderno de Acompanhamento Terapêutico”. Neste caderno, conforme a sua disponibilidade e possibilidade, ele vem registrando as atividades que realizamos. João tem dificuldade para escrever em casa. Relata que ao pegar a caneta ou o lápis, suas mãos começam a tremer e ele não consegue. Muitas vezes, ele leva o caderno para o CAPS para lá poder escrever. O caderno também auxilia na nossa comunicação, porque como ele escreve exatamente da mesma forma como fala, ao ler eu consigo entender sua forma de falar e vou me apropriando disso para entendê-lo melhor.
Conforme Barretto (2005, p. 202), o AT é “uma ajuda especializada em funções que pertencem à vida mesmo. Tentamos potencializar aquilo que está, ou deveria estar presente na vida de cada um”.  Desta forma, buscamos potencializar em João ferramentas para enfrentar as questões de sua vida que por hora o desorganizam emocionalmente.
No decorrer dos acompanhamentos, no qual ele escolhia aonde íamos, ele trouxe a idéia de fazermos visitas aos museus, em virtude das comemorações do bicentenário da cidade. Assim passamos a fazer um roteiro para nossas incursões a estas instituições, nos orientando pelo guia oferecido pelo município com a lista dos museus.
Através dessas andanças, vamos trabalhando com ele as suas questões. E aos poucos ele está apresentando melhoras. Ainda estamos em processo de atendimento, porém já é possível verificar algumas mudanças: sua postura mais calma, seu cuidado consigo mesmo se apresentando de forma mais apurada, com mais higiene e mais capricho. Ele relata que as brigas em casa diminuíram, tanto com a mãe, quanto com a prima.
O AT promove um espaço de atenção para o acompanhado onde ele pode transitar de forma cuidada pelos espaços em que deseja e também fazer trocas com outro sujeito que ali está de forma integral, olhando-o também como um outro integral. Através de nosso trabalho, podemos afirmar que o AT é uma profícua ferramenta de reinserção social e estratégia terapêutica, indo ao encontro das diretrizes da lei 10.216/2001. Entendemos que o trabalho de AT, nos centros de atenção psicossocial, é uma demanda que coincide com o objetivo do serviço, fazendo então, com que ele seja, de caráter urgente e emergente, uma atividade a ser constituída e implementada nos serviços substitutivos.

 CONCLUSÃO

Através da prática do acompanhamento terapêutico, no serviço de saúde mental, entendemos que a função do AT vai ao encontro do que preconiza as atuais políticas públicas de saúde mental (Lei 10.216), trazendo ao sujeito outras possibilidades além do asilamento/isolamento.
Dentro do processo do acompanhamento terapêutico, pudemos divisar melhoras de João nos âmbitos de autocuidado, relacionamento afetivo com os familiares e trânsito mais independente na cidade.
O trabalho nos possibilitou observar a importância do acompanhamento terapêutico nos CAPS. Perpassando a prática do acompanhar terapeuticamente, há a permissão para a pessoa em acompanhamento, constitua-se como sujeito de direito, recebendo um investimento que em muitos casos pode já haver definhado, tanto por parte dos cuidadores/familiares quanto do meio social em que vive.
Salientamos que muito ainda há para ser conquistado nesta área, porém a implantação do acompanhamento terapêutico em serviços de atenção à saúde mental na rede pública é um avanço inegável na busca por uma humanização do cuidado com o sujeito portador de sofrimento psíquico.
Através dos resultados que alcançamos até o momento com o trabalho, podemos indicar o acompanhamento terapêutico como uma proveitosa e útil ferramenta de trabalho no processo de inclusão social em vários âmbitos, podendo auxiliar no tratamento das pessoas cuidadas no CAPS, passando do imaginário utópico, para uma prática de real eficiência.

REFERÊNCIAS

BARRETTO, Kleber Duarte. Ética e técnica no acompanhamento terapêutico: andanças com Dom Quixote e Sancho Pança. 3. ed. São Paulo: Unimarco Editora, 2005.
LANCETTI, Antônio. A amizade e o acompanhamento terapêutico. In: SANTOS, R. G. (org.). Textos, texturas e tessituras no acompanhamento terapêutico. São Paulo: Instituto A Casa / Editora Hucitec, 2006.
PALOMBINI, Analice de Lima. Acompanhamento Terapêutico na Rede Pública: a clínica em movimento. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2004.
PALOMBINI, Analice de Lima. Acompanhamento terapêutico: dispositivo clínico-político.  Psyche, São Paulo, v. X, n. 18, p. 115-127, set/2006.
PITIÁ, Ana Celeste Araújo; SANTOS, Manuel Antônio dos. Acompanhamento terapêutico: a construção de uma estratégia clínica. São Paulo: Vetor, 2005.
BRASIL, Portal da Legislação. LEI No 10.216, DE 6 DE ABRIL DE 2001. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10216.htm  Acesso em 20/08/2011 17:34.
SILVA, Alex Sandro Tavares da. A emergência do acompanhamento terapêutico. Dissertação (Mestrado em Psicologia Social e Institucional). Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2005.


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O trabalho acima foi apresentado no "Simpósio de Acompanhamento Terapêutico e Saúde Pública", organizado pela ATTENDA, em agosto de 2012, em São Bernardo do Campo/SP.
Cíntia Viviane Ventura da Silva
Acompanhamento terapêutico em um centro de atenção psicossocial de Pelotas: a utopia como possibilidade


Obrigada à ATTENDA pelo evento maravilhoso!




sábado, 25 de fevereiro de 2012

Degraus da escada: um caso de acompanhamento terapêutico escolar


Cíntia Viviane Ventura da Silva - UFPel
Lisiane Machado de Oliveira Menegotto - Feevale



O pôster acima foi apresentado no VI Salão de Iniciação Científica e Extensão IPA 2011 e recebeu o prêmio Destaque. 

Alunos que foram destaque no VI SICE IPA 2011






sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Acompanhamento terapêutico em um centro de atenção psicossocial de Pelotas: possibilidade ou utopia?

Cíntia Viviane Ventura da Silva
Carmen Argiles


       Esse trabalho analisa a pertinência do acompanhamento terapêutico (AT) na rede pública do município de Pelotas/RS, mais especificamente em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).
      Considerando a criação dos CAPS como estrutura de reinserção do sujeito portador de sofrimento psíquico em seu contexto social, promovendo não só a sua qualidade de vida e de seus familiares, mas também o respeito à sua singularidade (Lei 10.216), objetivamos propor o acompanhamento terapêutico como uma ferramenta de auxílio no cuidado à saúde mental na rede pública.
       O acompanhamento terapêutico surge na década de 60 através das comunidades terapêuticas, como recurso da reforma psiquiátrica e da luta antimanicomial. Sofre influências da antipsiquiatria inglesa e da psiquiatria democrática de Franco Basaglia (PITIÁ; SANTOS, 2005).
       A comunidade terapêutica precursora do AT (PITIÁ; SANTOS, 2005) foi a Clínica Pinel em Porto Alegre nos anos 1960, onde era chamado de “atendente psiquiátrico”. As comunidades terapêuticas funcionavam em hospitais psiquiátricos e possuíam uma figura terapêutica que permanecia com os pacientes no dia-a-dia objetivando construir um meio social.
        Silva (2005, p. 44) faz uma referência ao contexto histórico-político em que o surgimento do AT se deu
"na constituição do seu campo, o Acompanhamento Terapêutico mostrava-se como um recurso auxiliar para pacientes graves, alguns considerados 'crônicos', que ia de encontro a uma lógica que desejava
deixar a pessoa que é rotulada de louca apenas dentro dos hospitais psiquiátricos. Assim, desde sua configuração inicial o AT mostra essa ruptura com o 'modelo de saúde' que busca isolar dentro do hospício,
controlar todas as manifestações anormais para depois 'tratar' ".
        Palombini (2004, p. 78) conceitua o AT “como uma clínica em ato, onde o setting é a cidade: a rua, a praça, a casa, o bar. Uma clínica em que a palavra e também o corpo, os gestos, as atitudes contam”. Ela o define como um dispositivo clínico-político (PALOMBINI, 2006).
        Conforme Barretto (2005, p. 202), o AT é “uma ajuda especializada em funções que pertencem à vida mesmo. Tentamos potencializar aquilo que está, ou deveria estar, presente na vida de cada um”.
       Ayub (1996, p. 40) refere que, "atualmente, o Acompanhamento Terapêutico não deve ser entendido como um trabalho exclusivo de atendimento ao paciente psicótico, podendo realizar trabalhos de integração social com indivíduos portadores de deficiências, síndromes e distúrbios do desenvolvimento. O trabalho pode ser realizado na residência do paciente, reorganizando seu espaço, interesses e as relações afetivo-familiares. Ou ainda, na rua, trabalhando o comportamento, a representação das regras sociais, interesses mais amplos e, até mesmo, o lazer simplesmente".
        Para Silva (2005, p. 41), “o AT pode ser uma prática de integração, uma atividade revolucionária, uma prática de inclusão”. Ele segue falando da questão do setting, ou melhor, dos múltiplos settings em que a estratégia do AT permite ao trabalho terapêutico, afirmando que “[...] a prática do AT se dá em vários espaços, não ocorrendo apenas na cidade de concreto (mas também no quarto, na sala, na
lanchonete, no sítio, no consultório, na festa, na praia, no campo, etc.)” (SILVA, 2005, p. 80).
     Dentro das possibilidades do AT ainda trazemos Lancetti (2006, p. 25-26), que nos diz que “o acompanhante na sua intimidade amigável pode conectar ao mundo, realizar agenciamentos [...] e furar o cerco” (grifo nosso).
      Através de nossa pesquisa bibliográfica, em que investigamos o material científico já publicado em relação ao tema de nosso trabalho e os relatos de experiências semelhantes, entendemos que a função do AT vai ao encontro do que preconiza as atuais políticas públicas de saúde mental (Lei 10.216), trazendo ao
sujeito outras possibilidades além do asilamento/isolamento.
       Percebemos ainda que as experiências com AT na rede pública alcançaram resultados positivos e de sucesso. Os sujeitos antes relegados à margem do social, hoje possuem um olhar diferenciado e um cuidado mais humano.
      O estudo nos possibilitou observar a importância do acompanhamento terapêutico nos centros de atenção psicossocial. Perpassando a prática do acompanhar terapeuticamente, há permissão para o sujeito de se constituir como humano, recebendo um investimento que em muitos casos pode já haver definhado, tanto por parte dos cuidadores/familiares quanto do meio social em que vive.
    Salientamos que muito ainda há para ser conquistado nesta área, porém a implantação do acompanhamento terapêutico em serviços de atenção à saúde mental na rede pública é um avanço inegável na busca por uma humanização do cuidado com o sujeito portador de sofrimento psíquico.
      Concluímos que o acompanhamento terapêutico é uma proveitosa e útil ferramenta de trabalho no processo de inclusão social em vários âmbitos, podendo auxiliar de forma eficiente no tratamento das pessoas cuidadas no CAPS.


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Resumo expandido apresentado no XX Congresso de Iniciação Científica da UFPEL - 2011.

Disponível em: http://ufpel.edu.br/cic/2011/anais/pdf/CS/CS_01108.pdf

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Cíntia Viviane Ventura da Silva
Acompanhamento Terapêutico
XX Congresso de Iniciação Científica - 2011 - UFPEL

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Degraus da escada: um caso de acompanhamento terapêutico escolar

Cíntia Viviane Ventura da Silva - UFPel
Lisiane Machado de Oliveira Menegotto - Feevale


XII Congresso Brasileiro de Terapia Ocupacional e IX Congresso Latino Americano de Terapia Ocupacional  2011
São Paulo / SP

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Autismo, inclusão e laço social na perspectiva do AT escolar


Cíntia Viviane Ventura da Silva - UFPel
Lisiane Machado de Oliveira-Menegotto - Feevale



Congresso Internacional sobre Autismo 2011
Curitiba / PR

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Acompanhamento Terapêutico Escolar: um estudo de caso

Cíntia Viviane Ventura da Silva
Lisiane Machado de Oliveira-Menegotto
Universidade Feevale

O acompanhamento terapêutico escolar tem como finalidade auxiliar na inclusão de sujeitos que apresentam dificuldades de ordem psíquica, neurológica ou física. O presente trabalho objetivou relatar o estudo de um caso de acompanhamento terapêutico de uma aluna com necessidades educacionais especiais. O acompanhamento era diário, no horário de aula e ocorreu ao longo de 7 meses, numa escola privada de uma cidade da região metropolitana de Porto Alegre/RS. A aluna, na época, tinha sete anos. Os acompanhamentos geraram relatos registrados em diários de campo, sobre os quais se realizou o presente estudo. A aluna em questão apresentava um transtorno psíquico grave. Não apresentava nenhum comprometimento orgânico e nenhum traço físico característico de síndrome genética. Costumava protagonizar constantes episódios de agressão, apresentando dificuldades de interação com os colegas e professores. As crianças a viam como uma menina "doente" ou "coitadinha". Nesse sentido, o acompanhamento terapêutico se deu na perspectiva de trabalhar com todos os alunos a questão das diferenças, ao mesmo tempo em que auxiliar a aluna com necessidades educacionais especiais a encontrar novas formas de interação e comunicação. A função do acompanhamento terapêutico foi de fazer uma ponte entre a aluna e os demais colegas e professores, auxiliando na sua inclusão na turma. Além de construir outras formas de interação com os colegas e professores, o trabalho favoreceu a adesão da aluna às rotinas da sala de aula, participando da fila, realizando um maior número de tarefas escolares, brincando na pracinha com os colegas. Desta forma, a aluna foi saindo do lugar de "doente" ou "coitadinha". Ao longo desse processo observamos a importância do olhar, de estar atento aos códigos de comunicação, possibilitando as pontes necessárias para o trabalho inclusivo. Assim, podemos concluir que o AT é uma profícua ferramenta de trabalho no processo de inclusão escolar.

Palavras-chave: acompanhamento terapêutico escolar; inclusão social; psicose infantil; linguagem.

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O resumo acima foi apresentado na Feira de Iniciação Científica Feevale 2010 e recebeu o prêmio Destaque. É fruto de meu trabalho em uma escola, trabalho mui precioso e que realizei com muito carinho, sendo supervisionada pela Prof. Dra. Lisiane Machado de Oliveira Menegotto. O artigo completo que fará parte do livro de destaques, publicarei aqui posteriormente, respeitando a originalidade exigida pela regulamentação da feira em referência à publicação do mesmo.
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Pôster 

Prof. Dra. Lisiane Machado de Oliveira Menegotto recebendo o prêmio em meu nome